Mestres do Universo
8 de jun.
17 min de leitura

Mestres do Universo (2026)
Dirigido por Travis Knight
Escrito por Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham
Entrei na sessão preparado para detestar este filme. Como todo mundo que viveu o suficiente para ver dezenas de IPs da infância serem desconstruídos, dessacralizados e transformados em veículo de propaganda, eu esperava um He-Man inseguro, uma Teela Mary Sue, um Esqueleto vitimizado e um final onde todos aprendem que o verdadeiro poder era a amizade. Exatamente o que outras mídias apresentaram sobre o mesmo universo nos últimos dez anos.
Não me entendam mal, a lacração existe, a guerra cultural existe, a agenda politica do feminismo existe. Existe no filme. Mas para cada lacração, também temos a superação da lacração através de boas lições estoicas e machistas. Mestres do Universo 2026 não é apenas a maior surpresa do cinema dos últimos dez anos. É o filme mais controverso da atualidade exatamente porque ele se recusa a pertencer a qualquer lado da guerra cultural. Ele irrita igualmente os progressistas mais chiliquentos e os conservadores mais reacionários. Eu fiquei irritado, mas entendi o diálogo do filme.

O Retorno a Eternia
Avaliado pelo padrão aristotélico de areté, ou excelência da forma. Os produtores conseguiram algo quase impossível hoje em dia: um filme de 170 milhões de dólares que não parece um produto de algoritmo. Há peso, há silêncio, há espaço para os personagens respirarem. Eternia e seus personagens estão completamente reconhecíveis.
O modo de contar a história antes mesmo de mostrar os personagens é algo especial para a nova audiência. Algo que fez a diferença. Somos apresentados ao Principe Adam, interpretado pelo jovem Artie Wilkinson-Hunt, aqui com meros dez anos de idade. É apenas um menino convivendo com história, tecnologia, magia e guerreiros.
Um dos pontos altos do filme é a interação entre o Principe e seu Pai, o Rei Randor de James Purefoy, ao qual atira uma espada de verdade no chão para que seu filho de dez anos se defenda. O objetivo do pai é uma lição sobre seu filho aprender a se defender e a defender seu povo.

O Ataque de Esqueleto
É uma das poucas vezes que consigo assistir a Jared Leto sem ficar com nojo da cara do ator. Não me entendam mal, Jared Leto é um péssimo ator que utiliza a atuação metódica de ficar no personagem o tempo todo para dar 100% de fidelidade para sua atuação. Rendendo situações péssimas nos sets de filmagem.
Aqui, o ator entregou apenas as lembranças do personagem imortalizado por Alan Oppenheimer, o personagem é ao mesmo tempo maligno e tem um senso de humor doentio. É impressionante que os melhores trabalhos com o personagem são justamente canais de humor negro contando piadas imitando a voz do personagem.
O ataque de Esqueleto mostra outros personagens clássicos do desenho da década de 1980. E suas ações são de batalha, de coragem e até de sacrifício. Valores que estão encrustados na identidade masculina, no machismo.

Mentor de Idris Elba
Idris Elba é um ator de muito talento que tem sofrido há anos com a agenda woke de guerra cultural. O ator negro é mais conhecido por substituir personagens brancos e ruivos em filmes como Thor. O que é um papel humilhante e racista para um ator de grande talento.Seu personagem original, Mentor, é branco e ruivo. Mas veja bem, mencionei que Idris Elba é um ator talentoso?Pois bem, o ator fez um trabalho primoroso aqui. Já no começo do filme, temos o personagem como herói, lutando de igual para igual contra as forças de Esqueleto. O ator se esforçou em boas cenas de luta contra um dos maiores vilões originais. Isso é o sacrifício heroico que ele precisa fazer pelo bem de seu rei, sua rainha, seu príncipe e especialmente de sua filha. Isso é uma boa lição de moral para os meninos. Ensinar que um dia eles serão fortes e devem aprender a serem responsáveis pela segurança das pessoas que amam.

O sacrifício de um Rei
Confrontado por Esqueleto, temos Rei Randor ordenando que sua esposa e filho fujam enquanto ele sozinho enfrenta as forças de Esqueleto. Aqui, as primeiras cenas de Esqueleto mostram o pensamento do vilão sobre não estar interessado no reino. Mas no poder absoluto do Castelo de Greyskull e da Espada do Poder. Além de seu humor negro.

Lacração, emasculação e outras frescuras
O Pequeno Principe Adam de dez anos precisa fugir de Eternia. E o único lugar onde estaria seguro é o planeta natal de sua mãe. A Terra.
Porém, ao chegar, ele perde a sua espada e passa longos quinze anos sem nenhum contato com seu lar.
Aqui, cabe a análise.
O fato é que a cultura woke de lacração e guerra contra a masculinidade é sim piada. O filme trata como piada. E mesmo sendo piada, não existe jeito do pequeno Principe Adam se tornar um herói vivendo quinze anos entre lacradores. Todos os aspectos da mensagem da cultura lacradora podem ser vistos no filme, afetando o príncipe Adam. Ele se tornou um homem atrapalhado, sem confiança, sem masculinidade e sem a sua identidade cultural guerreira. Não é o mesmo personagem do desenho clássico. E sabemos disso pelo fato de que He-man terminava seus episódios com lições de moral e bons conselhos de vida.
O objetivo dos lacradores e frescos era justamente afastar o príncipe de sua masculinidade. De sua identidade de macho. De sua herança de guerreiro. O objetivo final dos lacradores é transformar o Principe Adam na She-Ra! A emasculação. Cortar o pinto do menino e transformar ele em doente mental que vai brigar com todo mundo por pronome neutro. Em alguém que vai brigar com mulheres para usar o banheiro delas! Essa é extrapolação da piada.

De volta a Eternia
Prestem atenção em como o filme mostrou a guerra cultural.
- Primeiro os personagens heroicos são todos mostrados como piada. São diversas cenas sempre mostrando os personagens como piadas. Especialmente o Principe Adam.
- Depois, os personagens acabam sendo mostrados com atitudes de coragem, valor e honra em batalha.
É a formula pronta do filme. A piada é sempre a lacração, a emasculação dos personagens, o feminismo e a sua guerra cultural contra os homens. Heróis caídos de um mundo dominado. Principe Adam trapalhão e Mentor bêbado. E depois, temos os mesmos personagens assumindo seus papéis de guerreiros lutando por liberdade. São duas mensagens diferentes e opostas. Mensagens que as pessoas entenderam. Com meninos e homens se identificando profundamente com a mensagem de coragem, honra e luta por liberdade.

Eu tenho a Força!
Seguindo a formula pronta do filme, Principe Adam encontra a sua Espada do Poder em sequencias de humor pastelão. Ele está vivendo na Terra e trabalhando no setor de Recursos Humanos junto a uma galera lacradora de cabelo colorido e sem nenhuma testosterona. São piadas prontas contra a masculinidade.
Quando em Eternia, a base da resistência é atacada pelas forças de Esqueleto e o Principe Adam deve enfrentar um dos mais terríveis inimigos. O Mandíbula. E o que ele faz? Tenta dialogar. O próprio dialogo, seguindo as regras da frescura, é a piada.
Quando o dialogo falha, o Principe Adam deve recorrer a força! Ele deve recorrer a legitima defesa! Essa é a parte que as pessoas pagaram ingresso para assistir no cinema. Quando ele ergue a espada e grita pelos poderes de Greyskull.
A lacração, a frescura e o dialogo são a piada. A porrada é coisa séria!

Não existe Masculinidade Tóxica
Vamos falar de Esqueleto. Ele é um vilão cruel, do tipo que tortura e ameaça sua própria aliada. Um vilão que comete assassinato em tela e faz piada com isso. Ele é um ótimo vilão.
E nenhuma feminista foi para as ruas protestar contra o personagem.
No contexto histórico real, o filme foi lançado em Junho de 2026. Feministas passaram mais de um século, mais de cem anos, defendendo ditaduras e genocidas que não deixaram mulheres terem direito a nada!
Para comparação justa. Esqueleto dominou Eternia, teve todo o poder em suas mãos e deliberadamente destruiu tudo matando boa parte da população. É o mesmo que Josef Stalin! Ídolo das feministas!
No contexto do ano onde este filme estreou, feministas foram para as ruas protestar com as tetas de fora a favor de Nicolás Maduro, ditador genocida da Venezuela! Feministas protestaram até mesmo a favor de Khamenei, ditador genocida do Irã, onde feministas e homossexuais são executados!
Toda a narrativa sobre masculinidade tóxica é uma mentira! E a melhor evidência é o fato de que as feministas são mentalmente incapazes de olhar para seu genocidas de estimação e acusar eles de machismo ou de masculinidade toxica.
A narrativa só serve para você, que é honesto e trabalhador. Você não quer ser associado à violência contra as mulheres e fica de frescura com medo de ser chamado de machista. De masculinidade tóxica. Estas palavras são espantalhos usados para dominar os frescos.
Os verdadeiros machistas defendem as mulheres, as crianças e formaram a sociedade.

Análise Filosófica – Estoicismo e Virtude como Bem Supremo
Agradeço de coração aos meus professores por me acompanhar em diálogos filosóficos que me ajudaram a escrever sobre a opinião dos Antigos espíritos do bem e da iluminação. Grupo Bala de Prata, Grupo Pau no cu dos Socialistas e Grupo de Fugitivos do Asilo Arkham.
Platão
Este é o filme mais explicitamente platônico feito pelo cinema mainstream em pelo menos quarenta anos. Toda a narrativa é uma recontagem direta da Alegoria da Caverna. E diversos de seus temas também podem ser observados no livro A Politica.
Todo mundo em Eternia acredita que Grayskull é um poder, uma arma, um tesouro que você pode tomar e usar para os seus próprios fins. A grande revelação do filme, que nenhum espectador esperava, é que Grayskull é o mundo das Formas. O poder não é algo que você recebe. É algo que você se torna.
E a cena mais brilhante do filme: Esqueleto já esteve dentro de Grayskull. Ele viu a Forma do Bem. E ele odiou. Porque a verdade não serve você. Você serve a verdade. Então ele escolheu voltar para a caverna, para ser o rei das sombras da Montanha da Serpente.
Poucos filmes modernos apresentaram o mal dessa forma. O mal não é ignorância. O mal é a escolha consciente das sombras, depois de ter visto a luz. O Coringa de Batman – O Cavaleiro das Trevas é exemplo.
Aqui o filme oferece momentos de genuíno valor. He-Man, em suas melhores cenas, personifica o ideal estoico de ataraxia (a serenidade no dever) e prohairesis (escolha moral inabalável). Quando confrontado com a perda de aliados — inevitável em toda guerra justa — o herói demonstra a dignidade diante do sofrimento que Marco Aurélio exortava: "O obstáculo se torna o caminho."
O vilão Esqueleto, ao contrário, representa a apatheia mal compreendida — não a serenidade estoica, mas a indiferença moral. Ele busca poder não como virtude, mas como compensação por sua própria deformidade existencial (ecoando a distinção de Epicteto entre o que depende de nós e o que não depende). Infelizmente, o roteiro oscila entre retratá-lo como vilão clássico e como figura trágica simpática — indecisão que enfraquece a tese moral.
Infelizmente, muitos vilões da vida real também se dedicam a tentar se mostrarem como figuras simpáticas. Como Luis Inácio Lula da Silva. Que brinca e conta piadas ao mesmo tempo onde não tem absoluta pena das pessoas que roubou ou matou.

Marco Aurélio e o Estoicismo
Esse é o ponto que deixou os críticos progressistas absolutamente furiosos, e que quase nenhum conservador percebeu ainda. Este não é um filme sobre derrotar o mal. É um filme sobre conter o mal.
A frase central do filme, dita por Man-At-Arms:
"O mal nunca é derrotado. Ele é apenas contido. Por um tempo. Ninguém vai agradecer. Ninguém vai lembrar. E você vai fazer mesmo assim."
Isso não é diálogo de super-herói. Isso é Marco Aurélio, palavra por palavra, retirado das Meditações.
O final termina com He-Man em pé na porta de Grayskull. Man-At-Arms chega e diz "Ele vai voltar". He-Man responde "Eu sei". E acaba.
Não há fim para o dever. Não há recompensa. A virtude é a sua própria recompensa. Isso é uma ideia tão alienígena para o cinema moderno que a maioria do público não sabia como reagir.

Nietzsche: Vontade de Poder ou Niilismo?
Eis o ponto mais problemático. Nietzsche advertia contra o ressentimento dos fracos que se disfarça de moralidade. Em sua busca por "complexidade", o filme parece querer desconstruir o heroísmo clássico — sugerindo que He-Man é apenas um instrumento de forças políticas maiores, que sua "bondade" é mera propaganda do status quo.
Isto poderia ser uma transvaloração criativa (Umwertung aller Werte) legítima — uma crítica ao heroísmo ingênuo. Mas a execução soa mais como niilismo passivo do que como afirmação dionisíaca. O filme não ousa afirmar novos valores; apenas desconfia dos antigos. He-Man termina a narrativa não como herói triunfante, mas como figura melancólica que 'perdeu a inocência' — talvez espelho da própria cultura que o produziu.
Thomas Sowell
Este filme é a mais perfeita demonstração da distinção sowelliana entre visão trágica e visão utópica já colocada no cinema.
Esqueleto não é um vilão caricato. Ele tem razão. Ele foi injustiçado. A monarquia de Eternia é corrupta, elitista, e mantém a população na ignorância. Todos os argumentos que ele faz são exatamente os mesmos argumentos de todos os socialistas dos últimos 250 anos.
E o filme diz: sim. Tudo o que ele diz é verdade. Mas seu governo é muito pior.
He-Man não defende a ordem porque ela é boa. Ele defende ela porque ele entende que você não destrói uma instituição de mil anos só porque ela tem defeitos, se você não tem nenhuma garantia que o que vem depois não será infinitamente pior. Não existem soluções. Apenas trade-offs.
Olavo de Carvalho (Professora Tchutchuquinha do meu Coração)
O maior truque deste filme, que 95% do público de ambos os lados não percebeu, é que ele realizou uma inversão da inversão simbólica.
Por quinze anos todo o cinema blockbuster usou exatamente a mesma estrutura: o velho sistema é mau, o rebelde é herói, derrubar a ordem é bom. Toda a guerra cultural pintou os heróis masculinos como patetas e os valores lacradores como progresso.
Mestres do Universo pegou toda essa iconografia, toda essa retórica, toda essa estrutura, e colocou ela na boca do vilão. Pegou os valores progressistas e os colocou na boca de personagens patéticos e lacradores vivendo de ser recursos humanos.
Esqueleto é o herói rebelde de todos os filmes dos últimos dez anos. E o filme pede para você ver ele como ele realmente é. Essa é a maior subversão anti-gramsciana que já foi feita com um orçamento de 170 milhões de dólares.
Buda: Desapego e Ilusão (Professor Caganeira Solitária)
Curiosamente, há paralelos com o pensamento budista que merecem nota. O arco do protagonista envolve desfazer a maya (ilusão) de que o poder e o reconhecimento trazem felicidade. Em momentos de solidão, He-Man contempla a natureza do sofrimento (dukkha) inerente à condição do guerreiro — cada vitória custa perdas, cada batalha gera sofrimento.
O filme sugere que a verdadeira maestria não está em dominar os outros, mas em dominar a si mesmo — ecos do Dhammapada: "Melhor que mil palavras inúteis é uma palavra que traz paz." Mas esta sabedoria oriental é apresentada de forma diluída, como "mindfulness" de autoajuda, não como caminho rigoroso de libertação.
Kant: Pessoas como Fins
O teste kantiano é revelador. O imperativo categórico exige que tratemos a humanidade sempre como fim, nunca meramente como meio. O filme falha aqui de forma significativa. Personagens secundários são introduzidos apenas para morrer de forma espetacular — servindo ao espetáculo, não à dignidade humana. A batalha final, embora visualmente impressionante, trata os soldados como meios para demonstrar o poder dos protagonistas.
Há uma exceção: uma cena em que He-Man escolhe salvar um inocente em vez de perseguir o vilão, afirmando o valor intrínseco da vida individual sobre o cálculo utilitário. É o momento mais kantiano do filme — e infelizmente o mais esquecível para a audiência, pois não há explosão.
Grupo Bala de Prata
Burke: O filme peca por arrogância revolucionária — quer romper com a tradição do herói para impor uma visão "atualizada". Burke nos lembra que as instituições (inclusive as narrativas) crescem organicamente; subvertê-las por decreto é violência cultural.
Scruton: Há beleza aqui, sim — mas uma beleza desenraizada. Falta-lhe a "reverência pelo sagrado" que Scruton via como fundamento da alta cultura. O espetáculo técnico não substitui a contemplação do eterno.
Sowell: O filme exibe a visão trágica — reconhece que escolhas têm custos, que o bem nem sempre triunfa sem manchas. Mas cai na armadilha utópica ao sugerir que, com "consciência crítica", podemos superar as limitações da condição heroica. Há trade-offs reais que o filme ignora.
Murray Rothbard (1926–1997)
Rothbard veria em Mestres do Universo uma parábola involuntária sobre o monopólio da violência. Etérnia é um Estado que detém o monopólio da força legítima — e que fracassa precisamente porque monopólios são ineficientes. A Espada do Poder é a metáfora perfeita: o poder deveria ser distribuído, não concentrado.
Em A Ética da Liberdade, Rothbard argumenta que toda autoridade legítima deriva do direito de propriedade — não da linhagem, não da tradição, não da "vontade do povo." O rei Randor governa por direito de nascimento, não por consentimento. Isso não é diferente, em essência, da democracia — onde os governantes também não são escolhidos pelos governados de forma genuína.
"O Estado é a organização do meio político. Seu objetivo é sempre o mesmo: manter o monopólio da força em um território dado. Não importa se o monopolista veste coroa ou terno democrático — o resultado é escravidão tributária com sabor diferente."
Recomendação de leitura:
A Ética da Liberdade (1982) — Para entender por que Etérnia precisaria de anarquia voluntária, não de um herói solitário.
O Anarcapista (1973) — O panfleto mais elegante já escrito sobre por que os "Heróis do Universo" são, na verdade, burocratas com capa.
Ayn Rand (1905–1982) (Professora Metaleira do churrasco)
Rand veria em He-Man um John Galt com espada em vez de motor de queda livre — um indivíduo que descobre que seu poder não vem do Estado, da coroa ou da tradição, mas de sua própria natureza racional e produtiva. A cena em que Adam levanta a espada sozinho, sem permissão, é o momento "Randiano" por excelência: "Eu existo e trabalho pelo meu próprio bem, para minha própria vida, pelo meu próprio interesse."
Mas Rand criticaria severamente a passividade do herói diante da coletivização do poder. Em A Revolta de Atlas, Galt cria uma sociedade paralela — não pede licença ao Estado para existir. He-Mam, ao contrário, permanece dentro do sistema, aceitando a estrutura monárquica, apenas substituindo um governante ruim por um governante "bom."
"O conceito de 'governante benevolente' é a mais perigosa ilusão política. Um governante benevolente é apenas um tirano que ainda não revelou sua natureza verdadeira. O único governante legítimo é o indivíduo sobre si mesmo."
Recomendação de leitura:
A Revolta de Atlas (1957) — O que acontece quando o produtor (He-Man) recusa-se a sustentar os improdutivos (a corte de Etérnia).
O Virtude do Egoísmo (1964) — Para entender por que He-Mam deveria lutar para si, não pelo "bem comum."
Friedrich Hayek (1899–1992)
Hayek veria em Etérnia o problema da fatal arrogância (fatal conceit). O rei Randor acredita que pode coordenar a defesa do reino de cima para baixo — mas não possui o conhecimento disperso necessário. Cada mercador, cada camponês, cada artesã possui informações que o palácio não tem.
Em O Caminho da Servidão, Hayek demonstrou que o planejamento centralizado — mesmo quando bem-intencionado — inevitavelmente caminha para a tirania. Etérnia é prova disso: o rei centraliza poder, e quando o inimigo ataca, o sistema colapsa porque ninguém além do rei tem incentivos para agir.
"A ordem espontânea do mercado é superior ao planejamento estatal porque incorpora o conhecimento de milhões. Etérnia falhou porque seu rei acreditou que sabia mais do que seu povo. O resultado foi a ruína."
Recomendação de leitura:
O Caminho da Servidão (1944) — Para entender por que toda monarquia burocrática caminha para a tirania.
A Fatal Arrogância (1988) — Publicado postumamente, é a análise definitiva sobre por que os governantes acham que podem controlar o caos — e por que estão errados.
Hans-Hermann Hoppe (1949–)
Hoppe teria a análise mais provocadora e, possivelente, mais precisa. Etérnia é uma monarquia que já não funciona como monarquia. O rei não age como proprietário — age como burocrata eleito pela tradição. Não poupa, não investe, não protege sua propriedade. Quando Esqueleto ataca, é incapaz de defender.
Em Democracia: O Deus que Falhou, Hoppe argumenta que a monarquia é superior à democracia quando o monarca é verdadeiro proprietário, porque tem incentivos de longo prazo. Mas uma monarquia degenerada — onde o rei é apenas o primeiro entre iguais, onde a burocracia cresce descontroladamente, onde a propriedade privada é subordinada ao bem público — é pior que a democracia, porque combina o pior dos dois mundos.
"O problema de Etérnia não é o Esqueleto. É o Rei Randor. Um proprietário que não defende sua propriedade merece perdê-la. A solução não é He-Man — é descentralização, competição entre governos e o direito de secessão."
Recomendação de leitura:
Democracia: O Deus que Falhou (2001) — A obra que destrói o mito do "governo bom."
A Ética da Propriedade Privada e a Economia da Desintegração Social (1993) — Para entender por que Etérnia deveria se fragmentar em comunidades voluntárias, não se unificar sob um herói.
Quando a espada protege o direito, nasce um herói; quando protege o trono, nasce apenas um funcionário muito musculoso.

O Respeito às Mulheres
O que eu adoro falar? Os filmes mais machistas são os que dedicam seu tempo ao respeito para com suas heroínas. Os heróis sempre vão salvar as mulheres e isso é o máximo e respeito a vida e a dignidade delas. As heroínas possuem valor em filmes machistas. Uma boa heroína nunca é o problema, ela é a solução. A mesma dinâmica, o mesmo respeito, nunca aparece em um filme lacrador com uma heroína feminista.

Teela
Interpretada por Camila Mendes, Teela foi literalmente consertada em comparação com a produção lacradora Mestres do Universo – Salvando Eternia. Sim, temos uma produção lacradora para a comparação. Em Mestres do Universo – Salvando Eternia, Teela é uma personagem insuportável. Seu próprio desenho é um homem de ombros largos e com motivações e feministas.
Aqui, a personagem é naturalmente bonita e suas motivações são de coragem e altruísmo. As mesmas do desenho clássico.
Aqui cabe a piada pronta. Na guerra cultural, apresentar personagens femininas com valores masculinos deveria ser a mensagem a favor do feminismo, do progressismo e dos frescos. Só que estes valores masculinos são ótimos! Coragem de lutar contra a injustiça, proteger pessoas inocentes e enfrentar a tirania são valores nobres. Todo homem e mulher que seguem estes valores está no caminho correto.

Rainha Marlena
Interpretada por Charlotte Riley, subestimar o papel da personagem é um erro. A Rainha é a mãe do personagem, o elo entre o Principe Adam e a Terra. Óbvio, a personagem não tinha como saber que o planeta Terra foi dominado por lacradores e frescos que afastariam o príncipe de seus valores.

A Feiticeira
Interpretada por Morena Baccarin, a feiticeira é o elo entre o físico e o místico. O religioso. A personagem sempre foi figura de sabedoria. Ela sempre carregou as melhores mensagens. Com a Feiticeira, o filme completa a trindade heroica das mulheres. A guerreira, a mãe e a encarnação da sabedoria.

A Redpill Maligna
Interpretada por Alison Brie, Maligna possui a dinâmica mais desgraçada e feminista. Ela é dedicada ao mal, ela é dedicada a figura do Esqueleto que a tortura e ameaça!
Isso é o feminismo na pratica!
É o que feministas defenderam em décadas de existência do HAMAS como grupo terrorista que mata pessoas inocentes. Especialmente mulheres e crianças.
É o que feministas defenderam em décadas de Hugo Chavez e Nicolas Maduro. É o que feministas defenderam com o Irã, onde mulheres são literalmente propriedade.
A Redpill é reconhecer que a vilã está do lado do vilão. Ela serve ao sistema, ao governo de Esqueleto. A quem ela dedica lealdade mesmo agredida, ameaçada por Esqueleto. É o contexto Redpill, reconhecer que uma mulher pode ser completamente maligna mesmo que seja bonita, gostosa e que seja se afirme como vitima. A mulher do traficante ainda concorda com sua violência contra inocentes. A mulher do abusador ainda concorda com abuso.
Mulher assim não serve para nenhum relacionamento. Nem amizade.

Guerra Cultural
Este filme tem defeitos reais. Ele faz pequenas concessões desnecessárias ao zeitgeist atual. Ele não é uma obra prima. Mas o seu mérito é imensurável.
Ele segue a formula pronta até o final e o publico pode escolher qual a mensagem que serve.
Lembram da formula?
- Primeiro a piada lacradora, progressista onde os frescos diminuem os valores masculinos transformando os personagens em patetas.
- Depois as cenas de ação, aventura e porrada que carregam valores como coragem, honra e luta pela liberdade.
O filme leva essa formula até o final. Tem a piada lacradora e depois a cena de ação. Piada lacradora e cena de ação. Primeiro a piada e depois a ação. São mensagens opostas da guerra cultural. E deixam obvio que são as ações que levam a história adiante. São os valores que valem o ingresso, são as mensagens que vamos contar para as crianças. O filme nem será lembrado pelas piadas.
A vida é sofrimento. Superação faz parte do ciclo natural machista.
O poder é uma carga, não um privilégio.
A virtude é a única coisa que realmente pertence a você.
Alguns deveres você tem que cumprir, mesmo que ninguém nunca agradeça.

A Tortura Psicológica de Esqueleto
Essa parte é de suma importância. Em uma das pouca vezes mostrada, Esqueleto tem o poder de entrar na mente de suas vitimas e torturar. Ele entra na mente do Príncipe Adam e o tortura.
E sabem o que o jovem príncipe enxerga como verdadeira tortura? São os ambientes da Terra, longe dos valores e de sua identidade de masculinidade. Isso é a tortura. Não a violência. Com detalhe de que o jovem príncipe está morrendo!
O que o tortura é viver apenas para pagar aluguel. É ser rejeitado por mulheres que nem o entendem. É trabalhar em uma sessão de Recursos Humanos cheia de lacradores.
O jovem príncipe está morrendo e sua dor é a lacração!
Ao final, a salvação é entender que o poder da amizade é um conselho de guerra. Que o dialogo com o mal sempre falha.
É um bom filme se você escolher usar este texto para explicar valores e virtudes para as crianças.
Por Marcio Strzalkowski
Força e Honra!




























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