Dredd - o juiz do apocalipse
- Marcio strzalkowski
- 5 de mai.
- 10 min de leitura

Dredd - o juiz do apocalipse (Dredd 2012)
Direção de Pete Travis
Escrito por John Wagner, Carlos Ezquerra e Alex Garland

Em Mega-City One, uma distopia superpopulada e violenta, o Juiz Dredd é um executor da lei com poderes de polícia, juiz, júri, vendedor de churros, cobrador de aluguel, vitima, testemunha, torturador e eventualmente carrasco. e temos a recruta psíquica Anderson, que consegue ler mentes. Amobs ficam presos em um complexo habitacional de 200 andares, o "Peach Trees". O prédio é controlado por Ma-Ma, uma baronesa do narcotráfico que fabrica a droga "Slo-Mo". Para sobreviver e sair, os Juízes devem subir andar por andar, eliminando a gangue armada de Ma-Ma.
Reassistindo tanto este filme quanto o filme Operação Invasão, em sequencia e com amigos bêbados em um churrasco, chegamos a diversas conclusões insanas.
Primeiro lugar, como filme cópia, merece então a comparação. Os juízes que seriam uma organização fascista merecem ser comparados com o governo da China Comunista. A China Comunista que matou mais de 60 Milhões de pessoas entre fome e fuzilamento é o sonho de demônios como o socialista Benito Mussolini.
E os bandidos no filme, merecem ser comparados com organizações terroristas como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. Os moradores de Peach Trees não tem direito a propriedade de suas próprias casas. Não tem direito de questionar o tribunal do crime e não tem direito a própria vida. Há filmes que são meros entretenimentos; há filmes que são parábolas. Dredd é uma Parábola. São bandidos de todos os lados, dispostos aos mesmos crimes contra as mesmas pessoas.

Operação Invasão
Este filme é uma aula de Rothbardianismo aplicado à distopia. Ao contrário de Operação Invasão (The Raid), onde vemos um esquadrão tático (embora estatal) apenas tentando sobreviver e fugir, em Dredd vemos a agressão estatal em sua essência: a invasão de propriedade e a execução sumária.
Operação Invasão -The Raid, dirigido por Gareth Evans em 2011. Estrutura idêntica de "subir um prédio matando inimigos" — Dredd é, no entanto, infinitamente mais denso em sua proposta filosófica. Onde The Raid é uma coreografia marcial de pura excelência técnica do pescotapa com chute no rim. Uma areté aristotélica em estado puro do tapão na orelha.

Monopólio da porrada
Dredd não é um herói; ele é a encarnação de Thomas Hobbes com uma arma de fogo. Ele representa o Estado Leviatã em sua forma mais pura. Os Juízes de Mega-City One são comparáveis, sem hipérbole e sem frescura, ao Partido Comunista Chinês. Assim como em Pequim, não há separação de poderes; não há devido processo legal. o "julgamento" é instantâneo e a morte é a única eficiência. a dissidência é punida com a morte também. É a antítese da Rule of Law – O Império da Lei de John Locke; é o império dos homens armados.
Isso não significa que o filme seja de todo ruim.
A violência é do caralho!

O monstro de Frankenstein (contribuição de Cavaleiro da Caganeira Solitária)
Aqui entra a genialidade não intencional do roteiro. Ma-Ma e seu clã são uma cambada de bandidos, sim. Eles torturam, matam e extorquem. A melhor comparação é a larva de vespa que se alimenta viva de suas vítimas. Mas quem criou Ma-Ma? Foi o Estado. Foi o Governo. Ma-ma é cria de um sistema e espelho.
Tipo Comando Vermelho que foi criado por comunistas e se comportam como um governo comunista em comunidades pobres.
Como Milton Friedman nos ensinou incansavelmente, a proibição cria o mercado negro. Ma-Ma só é rica e poderosa porque o Estado, o governo, os Juízes baniram o "Slo-Mo". E aqui, eu e todos os meus cinco leitores até completamos a critica. Só existe o trafico por ele fazer parte do governo.
Comparar a gangue de Ma-Ma ao Primeiro Comando da Capital (PCC) é preciso. O PCC nasceu dentro das prisões estatais e se fortaleceu graças à proibição das drogas. Ma-Ma é o sintoma; os Juízes são a doença.
O cerne do conflito é o direito de ingerir "Slo-Mo". Murray Rothbard argumentaria que, se um indivíduo possui a si mesmo, ele tem o direito absoluto de destruir seu próprio corpo com drogas se assim desejar. A violência que vemos em Dredd, esquartejamentos, tiroteios, tortura e dedo no cu. É tudo resultado direto da tentativa do Estado de controlar o que entra na corrente sanguínea dos cidadãos. A "Guerra às Drogas" é, na verdade, uma guerra contra as pessoas.
Não vamos passar a mão na cabeça. Drogas podem levar ao prazer e aliviar a dor. Mas o uso viciado é doença. Temos que tratar o viciado pelo que ele é. A pessoa está doente e precisa de tratamento médico e acompanhamento psicológico. Vicio não tem cura.
Assim, cabe ao ser humano, ao indivíduo, buscar ajuda. Do contrário, com o pensamento de que é responsável por si, mesmo com o efeito de drogas pesadas, a pessoa justifica o mal contra outras pessoas ou contra si mesma. E o que mais existe e drogado justificando o crime ou cometendo suicídio.
O Estado, o governo, o sistema inteiro de Juízes agem como se a cidade fosse sua propriedade feudal. Ma-Ma, por sua vez, trata o complexo "Peach Trees" como seu feudo particular, cobrando "impostos" através da extorsão e matando inquilinos que não obedecem. Ambos os lados violam pessoas. Violam o princípio de não-agressão (PNA).
Amobs os casos são violência. Os civis são gado no meio do fogo cruzado.
E a justificativa para esta critica é a comparação entre os Juizes e ditaduras comunistas. Exemplo da Venezuela de Hugo Chavez e Nicolas Maduro. O crime organizado era parte do próprio governo, era base e topo do governo. Seu governo é comunista, suas ações são o fascismo e sua ocupação é o terrorismo com trafico internacional de drogas.
A recruta Anderson lê mentes, o que é a violação máxima da propriedade privada: a invasão do santuário da mente humana.
Do outro lado, os bandidos fazem exatamente as mesmas coisas. E um dos bandidos até mesmo faz ameaças a Recruta Anderson em contexto de violar seu corpo, seu sexo.

Antigos espíritos da Luz
PLATÃO (contribuição de Pastor e Investigador de calcinha)
Mega-City One é a Caverna. Os 800 milhões de habitantes vivem em blocos de 200 andares chamados, ironicamente, "Peach Trees". Os pessegueiros. símbolo invertido da fertilidade e do paraíso. Não veem o sol, não veem o Bem, não veem a Verdade. Veem apenas as sombras projetadas pelos Juízes. A Lei sem Justiça. E pelos traficantes que buscam o desejo sem Logos.
O "Slo-Mo" é a droga perfeitamente platônica em sentido invertido: prende a alma ainda mais firmemente às sombras, fazendo-as parecerem belas. É o oposto exato da anamnese. É amnésia voluntária do real.
Platão enxergaria as drogas como elas são. Você tem direito as drogas para relaxar e aliviar as dores. Mas o vicio é a sua prisão.
Uma pessoa que se prende as drogas é uma pessoa que se aliena do que é real.
Governo e bandidos são parte da elite de Mega City One. As drogas e a violência são o teatro de sombras na parede. A violência dos bandidos justifica a existência do juízes. E a falta de liberdades justifica a existência dos bandidos.
Para Platão, teríamos o ciclo infinito de pessoas que deixariam Mega City One para descobrir verdades que destroem os juízes. Se estas pessoas voltarem para a cidade, serão todas mortas, por juízes.

ARISTÓTELES (dialogo com Tiozão do Churrasco)
Para Aristóteles, a polis, a cidade, o governo, o estado e o sistema, tudo existe para promover a vida virtuosa. A eudaimonia. A lei. A nomos, deve servir à virtude, a areté. Em Mega-City One, a Lei perdeu seu telos: ela existe apenas para se autoperpetuar. Os Juízes não cultivam virtude alguma nos cidadãos. apenas executam ordens e cidadãos.
Se assistido o filme junto a Operação Invasão durante um churrasco, chegamos a coclusões fodelosas. o governo dos Juízes é igual ao Partido Comunista Chinês. Que é igual aos bandidos.
Todos concentram funções legislativa, executiva e judiciária. violando Montesquieu, violando a prudência burkeana, violando direitos, violando liberdades e violando o seu fiofó!
Operam por vigilância total e execução sumária. Todos despersonalizaram a justiça. A justiça não serve para os seres humanos, mas o algoritmo burocrático. Todos justificam atrocidade.
Já Ma-Ma e seu cartel funcionam exatamente como o PCC - Primeiro Comando da Capital. hierarquia paralela, tribunais próprios, controle territorial de comunidades inteiras, monopólio da violência. Só falta o funk pancadão!
O filme é de 2012, anterior à consolidação midiática do PCC como tema nacional brasileiro.
A tese central é aristotélica e tomista: quando o Estado abandona seu telos, a ideia de promover o bem comum, ele se torna estruturalmente idêntico ao crime organizado.
Santo Agostinho perguntou em De Civitate
"Remota itaque iustitia quid sunt regna nisi magna latrocinia?
"Removida a justiça, o que são os reinos senão grandes bandos de ladrões?"
Juízes e Ma-Ma são, ontologicamente, a mesma merda
Organizações que praticam roubo em tributação ou extorsão, tortura e morte. A diferença é apenas o uniforme.

OLAVO DE CARVALHO (True Black Metal Raça Negra from Hell)
Olavo nos ensinou a ler os símbolos invertidos da modernidade.
O "Juiz" que historicamente significa aquele que discerne. Vem do hebraico shofet, reduzido a executor mecânico. Não discerne porra nenhuma.
"Peach Trees", o pessegueiro paradisíaco e sagrado transformado em torre de morte;
"Slo-Mo" que seria a contemplação. Algo que deveria elevar à eternidade e a iluminação. Mas reduzida a entorpecimento sensorial. A um vicio que prende seus usuários.
"Ma-Ma” é a Maternidade. O princípio sagrado da mãe. invertida em traficante mutilada que envenena os "filhos". A personagem deve ser o sonho molhado de algumas feministas por ai.
Cada símbolo central do filme é uma realidade sagrada invertida. exatamente o diagnóstico olaviano da modernidade pós-cristã.
É um filme bom de porradaria e tiroteio. Mas seus roteiristas se puxaram para perverter todos os valores possíveis. Do simbolismo até a noção de herói e vilão. Não existem heróis. Só tem filho da puta de tudo que é lado.
E adivinhem, no mundo real é a mesma coisa com artista de merda glorificando a bandidagem e o terrorismo.

Hans-Hermann Hoppe ficaria fascinado pela estética brutalista e pela degradação social. Ele apontaria que a democracia, ou a tecnocracia dos Juízes, sempre leva a uma alta preferência temporal: matar agora, resolver depois. Ele veria os Juízes como bárbaros "civilizados" que, ao removerem a lei natural, transformam a sociedade em um zoológico.

Frédéric Bastiat gritaria com a tela. "A Lei foi pervertida!". Bastiat veria nos Juízes a lei transformada em instrumento de pilhagem e violência, e não de proteção. A "justiça" de Dredd é a antítese da justiça bastiatiana.

Ayn Rand teria uma relação complexa com o filme. Ela desprezaria o coletivismo de Mega-City One e a falta de valores morais de Ma-Ma. No entanto, ela poderia sentir uma atração culposa pela competência e objetividade de Dredd, antes de perceber que ele serve a um Estado parasita e não à sua própria razão. Dredd é um saqueador de alta patente, não um produtor.

O filme não tem frescura
É uma boa opção de filme de ação, porradaria e violência. O objetivo do texto é explicar que você não precisa desligar o cérebro para curtir um bom filme. E que, as vezes, a mensagem do filme é tão ruim que só o que resta é invocar os antigos espíritos da luz para ver com clareza os problemas que transcendem a obra. Caso deste filme.
Juiz Dredd não é um herói. Ele seria um “anti-heroi”, troço que na verdade não existe. Ele é o vilão da história que, eventualmente, faz escolhas morais com as quais concordamos. Mas isso é do momento. E no momento, Dredd e Anderson devem fazer cumprir a lei dentro do mega bloco.
As cenas de ação são um primor da mais irrefutável qualidade. Temos sangue, tripas e explosões por todos os lados. Mas como o filme faz questão de não apontar caminhos, eu e meus amigos tomamos as liberdades de descrever diversos caminhos do pensamento, da justiça e da liberdade.

O Respeito as Mulheres
A heroína do filme é a recruta Andarson vivida por Olivia Thirlby. E nenhuma feminista vai falar bem dessa personagem. A personagem é muitas vezes a voz da razão durante o filme. Está cercada por todo o tipo de ameaça e violência durante o filme inteiro. Inclusive a ameaça de violência sexual.
Se fossemos questionar feministas como Valerie Solanas, a única parte com as quais iria escrever seriam sobre a personagem não matar todos os homens.
Outras feministas como Simone de Boevuir só escrevem sobre mulheres por elas estarem lutando lado a lado com homens.
Nenhuma iria falar sobre valores como coragem da personagem. As cenas onde realmente tentou fazer o que era certo. Sobre a personagem superar ameaças como a própria ameaça de violência sexual.
Nenhuma feminista iria criticar o fato de que juízes e criminosos serem lados opostos da mesma moeda. Como feministas, todas são ativistas politicas do socialismo. O governo, o sistema que permite julgamentos sumários e justiça como arma contra opositores. Para feministas, bandidos são vitimas da sociedade.
O que adoro explicar para todos os meus cinco leitores. Se você quer respeito para com as mulheres, procure um filme de macho.
O filme é uma obra-prima acidental do conservadorismo e do libertarianismo.
Porque retrata o Estado exatamente como ele é: uma máquina de moer carne que cria seus próprios inimigos para justificar sua existência. Tudo o que conservadores e libertários mais odeiam. Dredd não salva o dia; ele apenas garante que o monopólio da violência continue nas mãos dos juízes.

A Redpill sobre Ma-ma
Interpretada por Lena Headey, Ma-ma é linda, maravilhosa, gostosa e cheirosa. E a atriz merecia mais reconhecimento por seu trabalho.
E agora a Redpill. Valeria a pena se relacionar com a personagem?
Este é o exercício. O leitor imaginar se valeria a pena se relacionar com a personagem. E a resposta é obvia. Não, caralho!
Ma-ma é a líder do tráfico. Só existe um lugar na terra onde isso seria bom, que é em novela da Globo. A Redpill é sobre os homens aprenderem a se valorizar e a nunca se relacionar com mulher desse nível.
Ma-ma é a chave da cadeia, ela é sádica, o crime tá na mão dela.
Tanto que uma das sequencias mais legais do filme é justamente ela forçando suas vitimas a usar a droga Slo-mo para em seguida jogar todo mundo do caralhésimo andar.

Antigos Espiritos do Mal
Termino este texto explicando o obvio. Monstros como Vladimir Lenin apoiariam o sistema de juízes. Lênin usou um sistema de juízes. Seus militantes eram juízes, júri, testemunhas, torturadores e executores de qualquer pessoa contraria ao comunismo na antiga URSS. Ele deixou livros publicados falando exatamente sobre isso.
Josef Stalin já esteve dos dois lados deste filme. Como bandido e como facínora genocida que impôs a sua lei matando o máximo de pessoas possível. Com o detalhe que ele podia mudar a sua lei do jeito que bem queria.
No Brasil de Lula, temos a ligeira impressão de que seus políticos e ministros eram escolhidos por ficha criminal para entrar no governo.
Por Marcio Strzalkowski
Força e Honra




























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