A Vila
- Marcio strzalkowski
- 21 de abr.
- 15 min de leitura

A Vila - The Village 2004
Dirigido e escrito por M. Night Shyamalan.
É um filme que mostra uma comunidade praticamente ANARQUISTA. Onde os anciãos criaram os seus filhos no meio do mato sem papel higiênico, medicina ou tecnologia. Seus "lideres" são os anciãos que mantém as pessoas através do medo e ignorância.
Logo, cada um pode fazer o que bem quiser. Se você quiser criar vacas, você pode! Se você quer fabricar sapatos, você pode! Como comunidades hippies, só que com banho e sem drogas!
Mas como toda promessa hippie acaba uma hora, o filme já começa com a população tendo que ouvir e obedecer ao conselho de Anciãos.
Eles devem escutar os velhos anciãos por causa de MONSTROS que vivem na floresta fazendo barulhos, amedrontando e de vez em quando aparecendo na Vila para mostrar o quão necessárias são as regras de nunca sair de lá. Neste caso, a vila é um excelente filme de suspense e terror.

A construção do suspense em brincadeiras, onde as crianças se desafiavam a ficar, de costas perto dos bosques, escutando os uivos dos monstros sem fugir. Em A Vila, uma das situações mais assustadoras é quando as pessoas começam a descobrir animais mortos de forma cruel. Com suas peles arrancadas e desaparecidas. Um horror tão grande que os monstros são chamados de "aqueles que não devem ser mencionados".O filme mostra a Vila sendo invadida pelos monstros. Por aqueles que não devem ser mencionados! Cenas explorando o medo das crianças e adultos se escondendo dos monstros. O medo representado pela cor vermelha do perigo! Crianças que deveriam estar em torres de vigilância com medo de tocar os sinos avisando do perigo.Os monstros, aqueles que não devem ser mencionados, no filme são uma mistura de lobisomens, ursos e porcos que andam de pé e vestem longos robes vermelhos assustadores. Sua presença é constante por causa de estranhos assovios e uivos que podem ser escutados na floresta até de dia. Suas patas possuem garras assustadoras. Noites assustadoras com monstros cujas motivações desconhecemos.E o mais assustador do filme. Nunca sabemos o que os monstros fazem com as pessoas!

Uma heroína sem feminismo
A protagonista é Ivy Walker, interpretada por Bryce Dallas Howard.
E nenhuma feminista falou dela em décadas de existência deste filme! É a filha cega de Edward Walker, o líder da comunidade de Covington.
E existem motivos. Feministas são militantes politicas socialistas. Se uma personagem de um filme não levanta nenhuma bandeira feminista e nem socialista, então a personagem não tem utilidade politica. Não existe um utilitarismo para a personagem.
No início do filme, Ivy é a personificação da inocência. Ela possui uma percepção sensorial e emocional. Ela "enxerga as cores" das pessoas. Sua motivação principal é o amor por Lucius Hunt.
O filme se transforma da metade até o fim. Seu amor, interpretado por Joaquim Phoenix recebeu 17 facadas! Mas não posso explicar de quem...
E para isso, ela deve conhecer a terrível verdade. Deve acordar da Matrix e partir em uma jornada para fora da Caverna de Platão. Como uma Chapeuzinho Amarelo em uma jornada pelo bosque dos monstros de vestes vermelhas.
Em sua jornada pelo filme, Ivy passa de uma jovem protegida por uma utopia agrária para uma heroína que confronta a mentira fundamental de sua existência.

Aviso de Spoiler pesado!
Para salvar a vida do homem que ama, ela deve ser levada para a barraca proibida onde os anciãos revelam o segredo oculto da vila.
São eles quem controlam os maiores horrores usados para escravizar as pessoas pelo medo! Sim, como um jogo de sombras dentro da Caverna de Platão ou como o jogo de mentiras dentro da Doutrinação Paulo Freire. A escravidão pelo medo! Dezenas de histórias assustadoras contadas sobre monstros que não devem ser mencionados. Não devem ser questionados. Leis proibindo as pessoas de sair.O assunto abordado no filme são as camadas das mentiras contadas! Não existe um estado em A Vila. O Máximo que tem são os anciãos. Isso quer dizer que não tem hospitais, nem prisões ou sequer leis. Tem uma pessoa cega que poderia ter sido tratada na infância e um rapaz com problemas mentais que merecia estar sob cuidados. O próprio médico possui ordens de não deixar a Vila depois da morte de um rapaz.

Isso é o que Estados podem fazer por você. Assim como os jovens dentro da Caverna de Platão, que desconhecem o mundo do lado de fora. As arvores, animais, céu e tudo o mais. Os jovens em A Vila não conhecem hospitais, prisões ou outras leis. Jovens mantidos na escuridão da ignorancia!Ao atravessar a floresta, ela descobre que o medo que governa sua vida é uma construção. Uma mentira. Sua transformação é uma jornada da inocência cega para a sabedoria trágica.
É a re imaginação da Caverna de Platão. A única pessoa a saber da verdade é justamente a menina cega. Sua jornada é sair da vila, buscar a cura milagrosa e voltar.
A partir deste ponto, o filme construído sobre mentiras será revelado em todas as suas mentiras! A primeira mentira é descobrir que os próprios anciãos controlam os monstros. A segunda mentira é descobrir que você, que sempre gostou deste filme, sempre teve razão em questionar o mundo através dos seus filmes favoritos!
A próxima mentira a ser desmascarada. Feministas nunca falam das maiores heroínas do cinema!

Dentre todas as pessoas em sua vila. É a menina mais assustada que decide enfrentar seus medos. O nome disso é coragem. Dentre todas as meninas, é justamente a menina cega a escolhida para conhecer a verdade, pois, a verdade está além do que podemos ver.A heroína adentra a floresta só para se deparar com mais uma mentira dos anciãos. Quando descobrimos que eles não controlam todos os monstros. Quando descobrimos que existe um monstro que não obedece a ninguém, que não pode ser mudado de sua natureza assassina, incontrolável. Que adentra a floresta apenas para fazer o mal.
E é tudo trágico. Ela salva a vida de Lucius, mas torna-se cúmplice da mentira dos Anciões para preservar a paz da vila.
Ela não pode afirmar que os monstros não existem pelo simples fato de que existe realmente um monstro. Ela não pode descrever um carro pois ninguém jamais viu um carro. Não pode descrever que existia uma cidade moderna no horizonte além da floresta.
É uma heroína trágica que simplesmente voltou para a vila, voltou para a Caverna de Platão, para a Matrix, para o Asilo Arkham, e não pode nem mesmo descrever a verdade.

Pesquisa sobre a opinião libertária
Aqui temos o ápice do totalitarismo. Uma elite de "anciães". Uma cambada de pau no cu formada por académicos de elite com recursos financeiros ilimitados. Provavelmente dinheiro publico. A elite exerce um controle absoluto sobre o narrativum da realidade. Não se trata meramente de censura; é a fabricação da ignorância.
Rothbard em The Ethics of Liberty, quando um grupo monopoliza a informação essencial para a sobrevivência e autodeterminação de indivíduos dependentes, comete-se não apenas um crime, mas uma forma de agressão que invalida qualquer contrato social pretensamente voluntário. Os habitantes, especialmente os nascidos na comunidade, são vítimas de um engodo que elimina sua capacidade de consentimento. O fundamento da ética libertária.
Murray Rothbard veria A Vila como um manual de como não se deve interpretar o direito de secessão territorial. Embora defenda a criação de comunidades voluntárias em For a New Liberty, Rothbard seria implacável contra a "sucessão hereditária da mentira". Os filhos não consentiram em nascer nesta distopia pastoral. The Ethics of Liberty, especificamente o capítulo sobre direitos das crianças para compreender por que a propriedade parental sobre filhos não inclui o direito de desinformação sistemática. O direito dos pais de mentir, de esconder verdades.
Rothbard em For a New Liberty, a propriedade privada é um instrumento de liberdade, não de escravidão. Os filhos dos fundadores nasceram em cativeiro elegante. A propriedade privada não inclui o direito de manter seres humanos em uma Caverna de Platão. Em uma Matrix. Em uma Vila sem tecnologia, estudos ou tratamento mental para o serial killer.
Quando Ivy desafia o embargo para salvar a vida de Lucius, está exercendo o direito natural de Locke à preservação da própria existência. Um direito que os anciães tentaram monopolizar através do controle do conhecimento médico. É o paternalismo estatal na sua forma mais rústica.
"nós sabemos o que é melhor para o seu corpo, portanto, você não pode sair para buscar medicamentos reais".

Hans-Hermann Hoppe, em Democracy: The God That Failed, identificaria imediatamente esta estrutura como uma forma de "propriedade privada" degenerada, onde os donos da terra utilizam sua soberania territorial não para proteger, mas para escravizar através da ignorância.
Ayn Rand, em The Fountainhead, desmontaria a psicose do filme. Isso não é educação, é programação. É um sistema. É um governo. É uma doutrinação. Você decora sem o direito de questionar.
Ayn Rand iria se mijar de rir do coletivismo disfarçado de pureza romântica. Romantizaram coletivismo. Para Rand, os anciães são arquétipos de indivíduos que são incapazes de dominar a realidade através da razão.
Os anciãos não tem argumento algum para governar. Então, suas ideias coletivistas são impostas pelo medo. Todo coletivismo é uma ideia tão merda que precisa ser imposto a força.
Recomendo o seu livro The Ethics of Emergencies, para entender por que o sacrifício da verdade em nome da segurança é a raiz de todo totalitarismo. Sacrifique a verdade em nome da segurança e não terá nem verdade e muito menos segurança.

Ludwig von Mises focaria na impossibilidade do cálculo econômico na ausência de preços e informação verdadeira. Sem comercio, nada tem valor. A vila é um experimento de planejamento central radical onde até o tempo histórico é controlado.
Friedrich Hayek reconheceria imediatamente "a estrada da servidão" pavimentada com boas intenções de académicos. Em The Road to Serfdom, Hayek advertia que quando elites planejadoras decidem "proteger" as massas de si mesmas através do controle da informação, o resultado é sempre a tirania benevolente. The Constitution of Liberty seria essencial aqui para entender como a liberdade requer não apenas a ausência de coerção física, mas a presença de conhecimento disperso.
Hans-Hermann Hoppe seria mais severo. Em Democracy: The God That Failed, Hoppe defende comunidades baseadas em pequenos governos com direito de exclusão, em mandar embora os criminosos. Mas enfatiza que tal direito termina onde começa a agressão contra residentes não-consentidos (quem nasceu na propriedade).
Em A Theory of Socialism and Capitalism, ele iria classificar a vila como uma forma peculiar de "socialismo de guerra" permanente, fascismo. onde a propriedade privada é mantida formalmente pelo governo, mas negada aos habitantes.
Frédéric Bastiat simplesmente perguntaria: "Onde está a lei?"
Em A Lei, Bastiat demonstraria que os anciães confundem lei (proteção dos direitos naturais) com legalidade positiva (o decreto de que as criaturas existem). A lei perverteu-se em instrumento de engodo. De mentira.
John Locke, pai do direito natural, argumentaria em Second Treatise of Government que, embora os fundadores tenham direito à propriedade, não possuem direito de manter os jovens em estado de guerra imaginária contra o mundo exterior. Muito menos em estado de medo. violando o direito à propriedade em si mesmo.
Na Vila de Shyamalan, a propriedade privada não protege o homem do Estado; Ela é o Estado, é o governo. Disfarçado de nostalgia ou de paraiso. A maior monstruosidade não está nas florestas, mas na concepção de que os iluminados têm o direito de fabricar sua própria realidade à custa do medo.
O único crime que, segundo Rand, não pode ser perdoado: o roubo do processo cognitivo do ser humano."
Os anciãos controlam até os medicamentos disponíveis, determinando quem vive e quem morre. Edward Walker (Hurt) recusa tratamento moderno para sua filha cega. não por malícia, mas porque acreditava que o "mundo exterior" é letal.
Essa é uma violação sofisticada do direito corporal: a negação não apenas da autonomia presente, mas da possibilidade epistêmica de exercê-la. Como você escolhe livremente algo quando nem sabe que escolhas existem?
Rothbard seria implacável: qualquer sistema, qualquer governo, que nega ao indivíduo informação sobre sua própria saúde é um regime criminoso, independente de quão paternalistas as intenções.
Hoppe argumentaria que uma comunidade baseada em comunalismo mental. Onde a liderança monopoliza a verdade e a realidade compartilhada. Essa porra é incompatível com qualquer conceito sério de direitos. Propriedade sem direito de saber a verdade sobre o que se possui é propriedade fantasmagórica.
Rand teria reconhecido a tragédia: o amor sem respeito pela agência racional do outro é apenas um tipo mais elegante de escravismo.
Os pais têm direitos sobre educação, sim. Mas esse direito é limitado pela obrigação moral de não condenar seus filhos à ignorância. Criar alguém numa mentira deliberada é um ato de agressão. Um crime

Antigos espíritos do mal
Quem apoiaria os monstros
Maquiavel e o Pragmatismo Político
Edward Walker age como um "Príncipe" maquiavélico. Ele entende que, para manter a ordem e a segurança, é necessário ser temido (através do mito das criaturas) em vez de apenas amado. Ele utiliza a mentira como ferramenta política legítima (razão de Estado) para evitar o caos e a violência que destruíram as vidas dos Anciões no passado. A moralidade individual é sacrificada em nome da sobrevivência do coletivo.
Maquiavel gostava de explicar os atos amorais como virtu. Palara que não deve ser confundida com virtude. E pela definição clássica de Maquiavel, só consigo explicar a virtu do seguinte jeito.
Virtu não é virtude. É a ausência de virtude. Virtu é a anti-virtude. O oposto de virtude. Virtude de mentirinha.
Virtude não é virtu. Virtu falta duas letras e ainda rima com cu.
Detalhe: Nicolau Maquiavél não defendeu a amoralidade. Apenas explicou em sua época como os poderosos pensavam e agiam.
Karl Marx (Luta de Classes e Alienação)
Como socialista, Karl Marx apoiou os horrores em A Vila.
Para Karl Marx, a Vila pode ser vista como uma tentativa de fuga do sistema capitalista alienante. Afinal, Karl Marx conseguia ver capitalismo em tudo, mesmo que ninguém compre nada no filme inteiro! Os Anciões acabam criando uma nova estrutura de opressão. Eles detêm o "capital do conhecimento" (a verdade sobre o mundo exterior), enquanto os jovens são o "proletariado intelectual", mesmo que ninguém trabalhe e nem receba por isso!
Os jovens são mantidos em um estado de falsa consciência e alienação, trabalhando a terra sem saber que o fruto de seu isolamento é uma mentira experimental.
Isso resume o pensamento de Karl Marx. Ele enxergaria capitalismo onde não existe capitalismo. E o descreveria como mal mesmo que não o veja. E por final, apontaria opressão e alienação. Sendo que ele mesmo defendeu alienação e opressão na forma de socialismo. Em vida, Karl Marx condenou nos outros aquilo que defendeu.
Como um peixe que não consegue descrever a água!
Lenin e a Violência como Instrumento
Para o ditador Lênin, a fundação da Vila foi um ato revolucionário radical, uma ruptura total com a sociedade vigente. E como socialista, ele também apoiaria cada horror de A Vila. Sob a ótica leninista, os Anciões justificam o uso da "violência psicológica" (o terror espalhado pelas fantasias de monstros) como um meio necessário para garantir a utopia. A coerção é vista como um mal menor para proteger o "povo" de Covington da barbárie externa.
Noah Percy, que possui deficiência mental, é desumanizado ao ser "usado" indiretamente pelo sistema, pelo governo, como a prova física da existência dos monstros. No fim, sua morte como "monstro" é convenientemente usada para validar a mentira dos Anciões.
Em vida, Lênin usou o medo, a mentira, a censura e todas as formas de violência para chegar ao poder.
Saul Alinsky (Manipulação Social e Táticas)
Os Anciões utilizam táticas de Alinsky ao criar um "inimigo comum" para unir a comunidade. Ao "congelar" o medo em um alvo específico (as criaturas de vermelho), eles mobilizam a obediência e o conformismo. O controle social é mantido através de rituais e símbolos (proibir cores), manipulando a percepção pública para evitar dissidências.
Simone de Beauvoir
Como socialista, Simone de Beauvoir apoiou governos e ditaduras infinitamente piores do que em A Vila. Em A Vila, a sociedade impõe às mulheres papéis tradicionais rígidos. No entanto, Ivy Walker subverte essa lógica. Enquanto os homens da vila estão paralisados pelo medo ou feridos, Ivy é quem realiza o ato de transcendência. Ela cruza a fronteira proibida.
Porém, como Ivy não levantou nenhuma bandeira feminista ou socialista, a autora nem perderia seu tempo com ela.
Bell hooks - O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras
A vila exemplifica uma estrutura em que “cuidado” e “proteção” podem mascarar dominação. Em vida, a autora nem pensaria em questionar os anciãos se fossem um monte de velhas feministas. E em caso fossem velhos genocidas com pensamentos socialistas do século dezenove, nem se daria ao trabalho de falar do filme.
Ela apoiaria todos os horrores em A Vila.
Judith Butler - Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade
Como feminista e socialista, a autora apoiaria todos os horrores em A Vila. O vilarejo vive de papéis repetidos: pureza, obediência, masculinidade protetora e feminilidade recatada. E a feminista só enxergaria problemas nisso.
Valerie Solanas – Manifesto da Escória
Como feminista radical, Valerie Solanas apoiaria todos os horrores em A Vila se cometidos em nome do socialismo ou do feminismo. Ela mesma mataria todos os homens vestindo peles de animais!

Antigos Espiritos da Luz
O que grandes pensadores do passado poderiam explicar obre o tmas de A Vila
Platão
A caverna é a imagem perfeita: prisioneiros tomam sombras por realidade; aqui, os moradores tomam o mito (monstros) por mundo. A doutrinação funciona porque controla o que é visível e dizível (tabu, fronteira, histórias repetidas).
O “educador” (ancião) vira um “governante” que decide o que o povo pode saber. Em Platão, isso poderia soar como “ordem para o bem”; mas o filme mostra o preço: a verdade é sequestrada.
Alienação é viver nas sombras. O fora não é “realidade desconhecida”; é “o proibido”. Isso mantém as pessoas numa infância política.
Sócrates
Sócrates combate a doutrinação com o exame: perguntas que desmontam certezas. A Vila é uma anti-Sócrates: perguntas são desencorajadas, e a dúvida é tratada como ameaça à coesão.
Leitura socrática: o vilarejo troca autonomia moral por conforto. Sócrates diria que uma vida sem exame é uma vida diminuída.
Aristóteles
Para Aristóteles, virtude é hábito orientado pela razão (disposição adquirida). 4
A doutrinação do filme cria hábitos, mas não virtude: cria conformidade. O “meio termo” aristotélico vira caricatura: não é prudência; é medo institucionalizado.
Para Aristóteles. Coragem é virtude ligada a medo e confiança. e frequentemente descrita como meio termo entre covardia e temeridade, guiada pela razão e pelo nobre.
Ivy está aterrorizada pelo medo. Mas msmo assim ela segue em frente. Isso é coragem.
Descartes
O método cartesiano é uma vacina contra doutrinação: duvidar sistematicamente até achar um ponto firme (o “cogito” como certeza básica no percurso do método). 5
A Vila impede esse exercício: ela não quer sujeitos que pensem “e se isso não for verdade?”. No olhar cartesiano, isso é manter pessoas num estado de dependência epistemológica.
Alienação é aceitar “autoridades” como base do saber. O método de dúvida pede: qual é o fundamento? No filme, o fundamento é “confie em nós”. É o tipo de base que Descartes tentaria demolir.
Kant
Para Kant, manipular crenças por medo para obter obediência ameaça a condição de pessoa como fim. A fórmula da humanidade manda nunca tratar a humanidade apenas como meio, mas sempre também como fim.
Doutrinação é, muitas vezes, usar a mente do outro como ferramenta: “acredite nisso para eu manter a ordem”.
Mentir e manipular para governar trata pessoas como meios. A formulação da humanidade proíbe tratar a humanidade “como meio apenas”. Mesmo que o objetivo seja “proteger”, o método viola dignidade porque rouba o direito de a pessoa decidir com base na verdade.
Nietzsche
Nietzsche desconfiaria do “moralismo” como instrumento do fraco/medroso para domesticar a vida: o vilarejo chama o fora de “mal” e santifica a obediência como “bem”. Ele tem passagens fortes sobre como o que eleva alguém acima do rebanho vira “maldade” aos olhos da moral do rebanho.
Leitura nietzschiana: a doutrinação protege do sofrimento, mas também castra a potência, o risco, a criação de novos valores.
Nietzsche leria desumanização como “domesticação”: uma moral de segurança que transforma o humano num animal manso. A comunidade vira rebanho — e rebanho é útil.
Estoicos (Zenão, Sêneca, Epicteto, Marco Aurélio)
O estoicismo (fundado por Zenão; depois floresce com Sêneca/Epicteto/Marco) insiste em governar o interior em vez de governar o mundo por medo. 8
Epicteto abre o Manual com a distinção: coisas sob controle (juízo, escolha) vs. fora de controle (corpo, reputação, posses).
Leitura estoica: os anciãos tentam controlar o incontrolável (o mundo) fabricando medo; o sábio controlaria respostas, não realidades.
Coragem é uma das virtudes cardinais estoicas; e o ponto é não ser arrastado por medo de coisas externas. Marco Aurélio descreve uma vida em que só virtude é bem e o resto é “indiferente”
Buda
O budismo enxerga sofrimento e medo como fenômenos mentais com causa (apego/craving) e caminho de cessação (treino). A tradição costuma resumir a doutrina nas Quatro Nobres Verdades e no caminho de cessação do sofrimento.
A Vila é um laboratório de “medo + apego”: apego dos anciãos a um mundo “puro” gera sofrimento coletivo. Treino correto seria enfrentar a realidade, não construir ilusão.
Jesus Cristo
Jesus critica lideranças que impõem fardos e também radicaliza a ética do amor (inclusive aos inimigos), deslocando a moral do medo para a compaixão.
Leitura cristã: salvar pela mentira pode parecer “amor”, mas pode ser paternalismo que rouba liberdade — e liberdade é condição para amor real (não apenas obediência).
Coragem é fidelidade ao amor e à verdade, mesmo sob ameaça. É a lógica “não temas” como postura existencial: coragem não para dominar, mas para servir.
Jordan Peterson
Peterson insiste na ideia de responsabilidade e “pursue what is meaningful, not what is expedient” (buscar significado, não conveniência) como antídoto ao caos.
A Vila escolhe o “expediente”: mentira “funcional”. Peterson provavelmente criticaria isso como construção frágil: ordem baseada em falsidade tende a cobrar a conta.
Olavo de Carvalho
Olavo é frequentemente associado ao tema de “guerra cultural” e disputa por hegemonia em imprensa/universidades; e ele se apresentava como crítico de várias correntes modernas.
Aplicando ao filme: dá para ler “A Vila” como alerta sobre hegemonia narrativa: quem controla educação e linguagem controla o possível. Só que o filme vira o espelho: a hegemonia não é “de fora”, é dos próprios protetores.
Uma Vila chamada Brasil
O filme A Vila, é carregado por uma história envolvendo medo, controle e revira-voltas. E o Brasil não é diferente. Somos uma grande vila a céu aberto. Uma vila dominada por velhos politicos, jornalistas parciais e artistas. Todos controlados por velhas narrativas criadas por velhos socialistas racistas que viveram e morreram há mais de um século. Nossos jovens são doutrinados, adestrados em salas de aulas para terem medos de monstros terriveis, que questionam o sistema socialista! São aprisionados na ignorancia pelos próprios medos!O Brasil já é uma grande vila, um curral eleitoral. Onde passaram décadas mentindo sobre monstros que não devem ser mencionados. Monstros que iriam censurar, perseguir e prender todas as pessoas por crime de opinião. Crime de pensar fora da caixa de nossas salas de aulas.Onde percebemos que os verdadeiros monstros sempre foram os doutrinados, os adestrados do sistema socialista.Em nome do socialismo, eles defendem ditaduras. Em nome do socialismo, eles defendem a censura, a perseguição e até a morte. Em nome do socialismo, eles defendem a doutrinação. E em nome do socialismo, eles defendem até experiências contra outros seres humanos inocentes. Isso é a definição histórica de nacional socialismo. A definição histórica dos verdadeiros monstros.
Por Marcio Strzalkowski
Força e Honra




























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