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Conan – O Destruidor

  • Foto do escritor: Marcio strzalkowski
    Marcio strzalkowski
  • há 4 dias
  • 18 min de leitura

Saiba, oh Príncipe, houve um filme para continuar as histórias de Conan – O Barbáro. Era considerado mais leve que seu anterior mesmo com cenas de decapitação, batalhas sangrentas e longas referencias ao horror. Um filme de Espada e Magia!

Vamos ao review machista sobre esta obra!

 

 

Conan – O Destruidor

(Conan the Destroyer)

Dirigido por Richard Fleischer

Escrito por Stanley Mann, baseado nas premissas de Roy Thomas e Gerry Conway



Nas sombras esquecidas do mundo primordial, onde os deuses antigos dormem em sonhos febris e a humanidade não passa de um sussurro efêmero entre ruínas ciclópicas, ergueu-se a figura de Conan, o cimério. Seus músculos eram cordas de aço forjadas nas fornalhas do sofrimento, e seus olhos, poços azul-gelo que haviam contemplado abismos que nenhum homem civilizado ousaria nomear. Ele vagava pelas estepes geladas e desertos ardentes, carregando no peito a ferida eterna da perda de Valéria — a mulher-ladra cujo espírito parecia ainda ecoar nos ventos uivantes como um lamento vindo de além do véu. Seu amor por Valéria é tão forte que já venceu a morte uma vez, ecoando a musica Valeria Remembered.

 

Sob um sol doentio que derramava seu ódio ardente sobre as areias de Shadizar, a Cidade dos Malefícios, Conan e seu companheiro malandro Malak foram cercados por guerreiros silenciosos. Não eram meros soldados: seus rostos pareciam máscaras de cera derretida, e em seus olhos brilhava uma fome que não era deste mundo. Suas armaduras feitas de bronze negro possuíam os adornos de deuses esquecidos e Antigos Espíritos do Mal. Capacetes de cornos negros. Capas de peles de animais. É o início de toda boa história de espada e magia. Conan é cercado pelo perigo traiçoeiro.

 

Conheças, meu príncipe, conheças os homens que contam esta história. Enquanto eu descrevo os detalhes da batalha violenta que se segue. Quem conta esta historia é o diretor Richard Fleischer, que se especializou em filmes de ação, fantasia e guerra. Dentre seus melhores trabalhos, temos o filme Tora! Tora! Tora! Que reconta com detalhes impressionantes o ataque surpresa do Japão contra o porto Americano de Pearl Harbor. O filme Vikings, os conquistadores com Kirk Douglas. A história do filme foi baseada nos contos de Robert E. Howard. Assim como também foi escrita por Roy Thomas e Gerry Conway, responsáveis pelas melhores histórias de A Espada Selvagem de Conan.


Explicando isso, a primeira cena de ação do filme já mostra guerreiros com armaduras de bronze negras como a noite. Armados com redes para capturar. O que até pode funcionar para o ladrão Malak, interpretado por Tracey Walter.


Mas não funciona para Conan de  Arnold Schwarzenegger.

O que se segue pode ser descrito como um verdadeiro massacre. O primeiro guerreiro pode ser visto avançando velozmente, mas a percepção de Conan o enxerga como em câmera lenta. Ao tentar pôr as mãos em Conan, o guerreiro é arrancado de cima de seu cavalo e atirado como se fosse uma criança. O segundo guerreiro a tentar capturar Conan recebe a fúria de um único golpe de sua Espada Selvagem.


Em um novo ataque, dois guerreiros a cavalo tentam capturar Conan com sua grande rede. Conan desvia da captura, agarra a rede com as duas mãos e a puxa. O resultado é uma cena espetacular tão forte que os frescos precisaram protestar contra a crueldade para com dubles e cavalos!

Um guerreiro decide lutar contra Conan usando um enorme tacape. Uma arma formidável para esmagar um crânio. Mas a Espada de Conan carrega um segredo mortal. Sua Espada é feita de aço, Aço Aquilonio! Um metal desconhecido na época, vale seu peso em puro ouro. E segurada por um guerreiro cimério treinado para lutar até a morte. O resultado do combate é um guerreiro a cavalo morto por um golpe brutal onde conseguimos ver um enorme esguicho de sangue. Nesta hora que os frescos desmaiam!


Após Conan ser visto abatendo um cavalo com um soco, seus atacantes decidem parar com a barbaridade.

 

A Rainha Taramis, interpretada por Sarah Douglas, emergiu em seu cavalo, alta e pálida como uma estátua de marfim antigo, vestida em sedas negras que pareciam tecidas com os fios da própria Noite. Seus lábios com um batom cor de pele quase invisível curvaram-se num sorriso que prometia êxtase e danação. Olhos hipnóticos.

"Eu te ofereço o que os deuses negam aos mortais", sussurrou ela, com voz que parecia vir de tumbas submersas. "A ressurreição de Valéria. Seu corpo quente novamente, sua carne palpitando contra a tua. Mas em troca... tu guiarás minha sobrinha, a virgem Jehnna, até o coração de horrores esquecidos."

Conan, cujos sonhos eram assombrados por visões de Valéria chamando-o para se sentar ao lado do Trono de Crom. Ele não sabia — ou talvez soubesse, no fundo instintivo de sua alma bárbara — que pactos com rainhas de Shadizar eram sempre costurados com os tendões de Nyarlathotep e os ossos de deuses adormecidos. Mesmo assim, Conan aceita ajudar a Rainha Taramis. O amor por Valéria é toda a motivação de Conan em sua aventura.

 

Valéria e o Respeito as Mulheres

Saibam, oh todos os meus sete leitores, contemplem enquanto eu explico mais uma vez. Os filmes mais machistas são os mais românticos. Conan não poderia ser comprado nem por prazer e muito menos por riqueza. A Rainha Taramis de Shadizar não possuía nada que Conan não conseguisse conquistar com o próprio sangue.


Mas tudo o que ela pode oferecer era a ressurreição de Valéria! O grande amor de Conan. A guerreira, ladra e amante que arriscou tudo por ele. Combateu até os antigos espíritos do mal e da morte.


Conan – O Destruidor é um filme machista, violento e que aborta temas brutais. E mesmo assim, Conan possui profundo respeito romântico para com Valéria.

 

Dagoth ou Dagon

Cidade de Shadizar, cidade irmã de Zamora – Cidade dos Ladrões. Conan volta a cidade e podemos ver a alegria na voz de uma moradora que comemora chamando seu nome. Um rico mercador ornamentado de anéis de ouro e colares de joias pode ser visto escondendo sua riqueza ao ver Conan e seu amigo ladrão.


Uma cena de puro humor pode ser vista. Conan reconhece um dromedário que certa vez nocauteou quando bêbado. O dromedário é um primo do camelo e pode ser reconhecido por ter uma grande corcova nas costas. Além de saber cuspir. E ele se vinga de Conan cuspindo nele. O que rende uma cena onde Conan o nocauteia de novo com um único soco. Os frescos choram.


Enquanto a Rainha Taramis tenta seus feitiços de assédio sensual em Conan, ela explica que sua sobrinha Jehnna deve ser levada para recuperar o Chifre de Dagoth, Deus dos Sonhos. Dagoth, ou Dagon, é uma entidade bem antiga de povos do Oriente Médio. Foi descrito na Torá, a Bíblia, como o Deus dos Fariseus ao qual o herói Sansão seria humilhado, cegado e escravizado.


Nas histórias de H.P. Lovercraft, amigo racista de Robert E. Howard, Dagon é um Deus profano do fundo do mar que realiza os desejos de quem oferece sacrifícios.

 

O Cavalheirismo de Wilt Chamberlain

Contemplem, todos meus sete leitores, o ator que interpreta Bombaata, Wilt Chamberlain, já era considerado em sua época como um dos melhores atletas do basquete em todos os tempos. Possuia uma altura de 2,10 metros. E gostava de afirmar que já havia dormido com pelo menos 20 mil mulheres.


Porém, com a atriz Olivia d'Abo, houve toda uma história de cavalheirismo. Adoro explicar sobre o cavalheirismo, definição machista de 2 mil anos de história. Os cavaleiros ou cavalheiros eram a elite de exércitos e recebiam deveres militares de fazer valer a lei em tempos de paz. A literatura está cheia de exemplos heroicos de cavalheiros.


Pois bem. Wilt Chamberlain fez questão de proteger a jovem atriz Olivia d'Abo em sua extréia em Hollywood. Durante as filmagens de Conan – O Destruidor, a atriz tinha apenas 14 anos. 14 anos e já havia gravado cenas de soft-porn para o filme Bolero – Uma Aventura em Extase. O ator de com mais de dois metros de altura se colocou em uma situação de protetor da atriz, evitando que seja cooptada para mais projetos de filmes eróticos ou que algum produtor queira fazer um teste do sofá. A amizade durou anos até a morte do ator em 1999.

 

Espada e Magia

Acompanhado pela frágil e etérea Jehnna (cuja pureza parecia uma lâmpada fraca prestes a ser devorada pela escuridão), pelo gigantesco Bombaata (um colosso de ébano cujos olhos traíam lealdade cega e segredos vis interpretado por Wilt Chamberlain), Conan decide combater feitiçaria com Magia. Ele precisa encontrar seu antigo amigo Akiro, interpretado pelo lendário Mako.

Eles adentram uma floresta amaldiçoada pela presença de uma das tribos mais temidas da era Hiboriana, os Pictos. Muitas descrições podem ser usadas para se referir aos Pictos, todas contraditórias e todas verdadeiras. Tribos quase trogloditas, quase sem língua e sem escrita. As vezes, descritas como Neandertais, afastados, isolados. Com suas características de pinturas brancas e negras. Assustadoras pinturas que os deixavam com a aparência dos mortos.


Em suas cavernas, Conan os encontra carregando o Mago Akiro. Mas não em veneração. Existia uma motivação antropofágica. Nome horrível para um destino horrível. Eles iriam matar e comer Akiro.

Conan precisa intervir. Seu primeiro golpe é certeiro como um relâmpago. Uma decapitação rápida de um guerreiro picto. Outro golpe e outro guerreiro tomba. Para choro e lamentações dos frescos.

Akiro é resgatado e se junta a Conan em sua aventura.  

 

Zula e o Respeito as mulheres

Contemplem, meus sete leitores! Os filmes machistas são os que mais respeitam as mulheres. São os que mais tem espaço para heroínas. Zula é interpretada pela cantora Grace Jones, mulherão da porra que embalou a Europa inteira durante os anos de 1980 e 1990.


Aqui, ela é a guerreira Zula, que fez parte de um grupo de bandidos que atacou uma pequena vila. Capturada, teve sua perna amarrada a um tronco, está sofrendo com a surra constante e será morta. E mesmo assim, ela reage e luta pela própria vida.


A pedido da princesa Jehnna, Conan se aproxima de Zula, espada na mão. Por um tempo, ambos os guerreiros se encaram. E é então que Conan usa a sua espada para cortar as correntes de Zula. A guerreira sorri em retribuição e desce a paulada em seus algozes antes de fugir.

Nunca vi um único filme com proposta feminista dedicar tanto respeito a uma mulher!


E ainda explico algo além da loucura. Grace Jones teve uma cena inteira de ação contra Wilt Chamberlain. O ator tem mais de 2 metros de altura. Não tinha dublê para as suas cenas de ação. Seu cavalo teve que ser importado da Espanha de tão alto que o ator era, seus pés tocavam o chão. E Grace Jones sempre foi porra-louca! Boa parte das cenas de luta foi sem nenhum dublê. E temos cenas onde Wilt Chamberlain corta o cajado de Zula durante a corrida de cavalo! Cinema absoluto!

Temos uma cena rápida onde Grace Jones realmente morde a orelha de Wilt. A reação dele de surpresa é real.

 

O Castelo de Thoth-Amon

A jornada foi um descenso lento e inexorável rumo ao Horror Cósmico. Nas sombras geladas das montanhas esquecidas, onde o vento uivava como almas condenadas em tormento eterno, os aventureiros aproximaram-se do lago negro que guardava o castelo de Thoth-Amon. O ar estava pesado, carregado de um silêncio opressivo, como se a própria terra temesse pronunciar o nome do feiticeiro estígio. Thoth-Amon é interpretado por Pat Roach, que fez parte da trilogia original de Indiana Jones.


Conan, o cimério de músculos de ferro e olhos ferozes como os de um lobo faminto, liderava o grupo: a jovem Jehnna, pura como a neve virgem; o feiticeiro Akiro, cujos olhos carregavam o peso de mil segredos sombrios; Zula, a guerreira selvagem de risada gutural; Bombaata, o gigante de lealdade questionável; e Malak, o ladrão de dedos ágeis e coração covarde.


O castelo erguia-se sobre as águas escuras como uma abominação de gelo e pedra antiga, suas torres retorcidas perfurando o céu cinzento como dedos ossudos de um morto-vivo. Nele habitava Thoth-Amon, o senhor das ilusões e das trevas primordial, cujos olhos negros devoravam almas como o abismo devora a luz. Ele observava os intrusos através do Coração de Ahriman, a gema que pulsava com uma luz maligna no coração de sua fortaleza. O feiticeiro sorria nas sombras, pois apenas a virgem poderia tocar a relíquia sem ser consumida — e ele a queria para si.

Naquela noite, enquanto o grupo acampava à margem do lago, um terror alado desceu dos céus.


Thoth-Amon, transformado em um dragão de fumaça feita de nevoa e olhos flamejantes, voou silencioso como a morte. Suas garras espectrais agarraram Jehnna no sono, erguendo-a para o ar sem que um grito escapasse de seus lábios. Os companheiros acordaram sobressaltados, o coração de Conan rugindo de fúria primal. O lago refletia apenas trevas, e o castelo parecia rir baixinho com o vento.


Akiro murmurou encantamentos antigos, revelando uma entrada oculta sob as águas geladas — um portão submerso que levava às entranhas da fortaleza. Remando em um barco frágil, os aventureiros cruzaram o lago negro, onde formas indistintas nadavam abaixo da superfície, sussurrando promessas de afogamento eterno. O castelo os engoliu como uma boca faminta.

Dentro, corredores de gelo reluzente distorciam a realidade. O ar cheirava a enxofre e decomposição antiga. Jehnna jazia adormecida em uma câmara central, vigiada pelo Coração de Ahriman, que brilhava como um coração pulsante arrancado de um deus morto.

Uma das salas possuía apenas o Coração de Ahriman no centro. Mas ele não poderia ser tocado pelas mãos de mais ninguém. Ao adentrar o salão, Conan cai na armadilha. Diversos espelhos reluzindo o reflexo do bárbaro.

 

Então surgiu o horror. Das profundezas dos espelhos erguem-se reflexos diabólicos de Thoth-Amon. Usando um longo robe misterioso. Sua cor era o vermelho escarlate que brilhava como sangue vivo. Diversos reflexos.


Seus reflexos apenas saem dos espelhos como se caminhando e começam a misteriosamente se Imergir uns nos outros. Seus reflexos se unem ao ponto onde sobra apenas um. E quando Thoth-Amon revela seu rosto, um horror toma conta de Conan e todos os seus companheiros. Thoth-Amon é agora um monstro com rosto de símio!


Seus rugidos ecoavam como trovões nas catacumbas, fazendo as pedras tremerem. Conan ergueu sua espada atlante, mas o aço comum ricocheteava na pele blindada da coisa. Golpes ferozes rasgavam o ar, mas a besta nada precisava fazer. A espada apenas atravessava Thoth-Amon como se ele nem estivesse na frente de Conan. Rindo com uma voz que não era animal — era humana, antiga, carregada de séculos de maldade stígia.

Thoth-Amon não poderia ser ferido pela espada de Conan, e ainda possuía a força multiplicada pelos seus próprios reflexos no espelho. Sua força era tamanha que podemos ver o feiticeiro erguendo Conan pelas pernas e o girando no ar. A Feitiçaria reduz a força de Conan a nada. Sua própria espada era inútil.

 

Conan deveria mudar de estratégia se quisesse sair vivo. Ou o Castelo de Thoth-Amon seria a sua tumba fria. Foi então que o Feiticeiro tentou quebrar as costas de Conan. Que em um golpe atrapalhado, quebra um dos espelhos. Um momento maior do que a sorte. Pois a observação de Conan percebe que ao quebrar o espelho, o Feiticeiro sente um profundo golpe abrindo seu peito. Conan deve quebrar todos os espelhos para derrotar o feiticeiro.

 

Conan, com fúria cimeriana que fazia os deuses tremerem, lançou-se contra as paredes reluzentes. Sua espada Atlante esmigalhava os vidros mágicos em cascata de fragmentos cortantes como lâminas. Cada espelho destruído arrancava um pedaço da ilusão: a besta encolhia, sua forma se contorcia em agonia.

 

A última ilusão de Thoth-Amon

O salão agora possuía apenas dois espelhos. Mas só uma saída. Conan deveria desvendar rápido qual espelho destruir. Um espelho teria a vida de Thoth-Amon. E o outro tem a vida de seus amigos. Se Conan errar, vai matar seus companheiros. A Imagem da besta-fera jazia no chão encolhido debaixo de sua capa rubra.


Conan prepara a sua espada e por um momento ele mira no espelho onde seus amigos gritam em horror. Mas então, Conan lembra que a sala dos Espelhos é uma ilusão. A saída é o espelho do outro lado!


Ele joga a sua espada atlante no espelho correto. Revelando vislumbres de um homem alto e magro, envolto em mantos escarlates e com a espada de Conan cravada em seu peito. O rosto de Thoth-Amon — olhos como poços de Set, pele pálida como pergaminho mumificado, boca retorcida em um grito de ódio eterno.


A espada cravada em seu peito com um som úmido e nauseante, perfurando carne e osso antigo. Thoth-Amon cambaleou, sangue negro escorrendo de sua boca. Seus olhos, cheios de um ódio que sobrevivera a impérios perdidos, fixaram-se no Coração de Ahriman.

A música triste nos lembra que Thoth-Amon, mesmo imponente, ainda era um ser humano.

Em um último ato de desafio ou loucura, o bruxo estendeu a mão trêmula e agarrou a gema proibida. Ele sabia que tocar a joia profana seria seu último ato em vida. Um clarão de luz infernal irrompeu — raios brancos e púrpura rasgaram o ar, consumindo sua carne como fogo devora pergaminho seco.


Jehnna é resgatada e agora eles podem tomar para si o Coração de Ahriman. Mas ao retirar a joia de pedestal, as torres de gelo racharam com estrondo ensurdecedor. Paredes desabaram em avalanche de pedras e fragmentos espelhados. O castelo inteiro gemeu como um gigante ferido de morte, desmoronando sobre si mesmo em uma sinfonia de ruína e poeira.

Conan agarrou Jehnna e o grupo fugiu em desespero pelos corredores que se fechavam como mandíbulas de uma tumba viva. Atrás deles, o lago negro borbulhava, engolindo os restos da fortaleza amaldiçoada. Eles emergiram ofegantes na margem, sob um céu que parecia mais claro, como se o mundo respirasse aliviado após a queda de um antigo mal.

 

 

Mas o verdadeiro terror aguardava no retorno.

Taramis traíra todos. Desde o momento onde Conan saio de Shadizar, a Rainha Taramis já preparou seus assassinos para trair Conan. Liderados por Sven-Ole Thorsen, os assassinos podem ser vistos desde o inicio da jornada. Trajando armaduras negras de couro e bronze. Vestidos com os cornos de deuses das trevas e antigos espíritos do mal.

 

Eles tentam matar Conan e raptar a princesa Jehnna!

A cena de batalha possui até mesmo o choque entre espadas com faíscas! Indicando uma espada de bronze perdendo pedaços ao se cruzar contra a espada de aço de Conan.

Sabemos agora das intenções traiçoeiras de Bombaata.

 

 

 

Intrigas politicas e religiões profanas

Saiba, oh príncipe, a base das melhores histórias descritas desde Robert E. Howard até os escritores que estabeleceram o sucesso de A Espada Selvagem de Conan sempre foram os temas das traições politicas e religiões profanas. Temas presentes em toda a literatura humana desde sempre.

O ritual não era para ressuscitar Valéria. Era para despertar Dagon, o Deus Sonhador, cuja forma era uma abominação anfíbia de chifres retorcidos e carne que se movia como se não pertencesse a este plano de existência. Quando o Chifre Incrustado de Joias foi colocado em sua testa, o ser colossal ergueu-se do altar de obsidiana. Seus olhos eram abismos de estrelas mortas. Seu corpo era interpretado por um monstro real, seu nome é André – O Gigante. De 7.4 pés, ou 2 metros e 24 centímetros de altura. O ar ao redor dele cheirava a sepulturas marinhas e a incenso de templos afogados há éons.

 

Bombaata revelou-se traidor, sua lealdade um véu para o culto secreto que servia ao Deus Adormecido. Zula rugiu como uma leoa das estepes, Malak tremeu como folha ao vento, o ladrão tinha o orifício frouxo. Akiro gritou feitiços que se dissolveram diante da presença de Dagon como fumaça ao vento. Jehnna, a virgem destinada, foi arrastada para o sacrifício que selaria a vinda do deus.

 

Conan, porém, era o bárbaro. Filho da Ciméria, onde os homens ainda lembravam que os deuses não são benevolentes, mas entidades famintas que devoram mundos. Com um rugido que parecia vir das gargantas de seus ancestrais selvagens, ele investiu contra a abominação. Sua espada, forjada em aço atlante e temperada no sangue de demônios menores.

 

O hálito de Dagon era um vento de pesadelos coletivos da humanidade. Dagon era simplesmente forte demais e resistente demais para ser morto por Conan.

 

No clímax da loucura, enquanto o templo tremia como se a própria Terra quisesse vomitar aquela profanação, Akiro revelou o ponto fraco — o chifre que era ao mesmo tempo âncora e vulnerabilidade do deus. Dagon urrou, e seu grito não era som, mas uma vibração que fez os ossos dos vivos ressoarem em harmonia com o caos primordial.

 

 

 

Conan – O Destruidor pela visão de grandes pensadores

Filósofos Gregos Antigos

·         Aristóteles: Conan exemplifica a virtude da coragem (andreia) como o meio-termo entre covardia e temeridade. Ele não age por imprudência cega, mas com propósito (resgatar Akiro, libertar Zula, impedir o sacrifício). Sua motivação por Valéria reflete a amizade (philia) e a busca pela eudaimonia (felicidade/florência humana) através de ações nobres. Enfrentar Dagoth seria magnanimidade (megalopsychia): grandeza de alma ao enfrentar males desproporcionais.

·         Platão: Os atos de Conan aproximam-se da justiça (dikaiosyne) na República: proteger os fracos (Jehnna, Zula, Akiro) e combater o caos (Dagoth como símbolo do desequilíbrio). No entanto, sua motivação romântica por Valéria é mais erótica (eros) do que puramente racional. O ideal platônico seria governar as paixões pela razão; Conan deixa a paixão guiá-lo, mas alcança um bem maior ao impedir o renascimento de Dagoth.

·         Sócrates: Conan vive o princípio de que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”, mas de forma prática. Ele questiona implicitamente o “destino” (a profecia do sacrifício de Jehnna) ao declarar “veremos” diante da escrita na parede. Sua coragem vem do conhecimento de si: ele sabe que a morte não é o pior (como Sócrates no julgamento), priorizando lealdade e justiça sobre a própria sobrevivência ou ganho.

 

Filosofia Moderna e Iluminismo

·         René Descartes: Conan demonstra dúvida metódica mínima, mas age com clareza e distinção na ação: identifica o mal (Thoth-Amon disfarçado, Dagoth) e o confronta diretamente. Sua “vontade” (res cogitans) triunfa sobre o corpo e o mundo externo (res extensa), especialmente ao destruir os espelhos para ferir Thoth-Amon ou arrancar o chifre de Dagoth.

·         Immanuel Kant: Os atos de Conan são ambíguos no imperativo categórico (“age apenas segundo a máxima que possas querer como lei universal”). A lealdade aos amigos e a prevenção do sacrifício inocente (Jehnna) seriam morais, tratando pessoas como fins, não meios. Porém, a motivação egoísta pela ressurreição de Valéria torna-o heterônomo (movido por desejo), não autônomo. Ainda assim, sua coragem universalizável contra o mal cósmico aproxima-se de um dever moral.

 

Filosofia do Poder, Vontade e Existencialismo

·         Friedrich Nietzsche: Conan é o mais nietzschiano dos heróis aqui. Ele encarna o übermensch (super-homem) que cria seus próprios valores além do bem e do mal. “Aquilo que não me mata me fortalece” ecoa na saga de Conan. Sua vontade de poder manifesta-se na superação de horrores (Dagoth), na lealdade como afirmação da vida e na rejeição de profecias escravas (“destino ou não”). A derrota de deuses falsos (Dagoth, Thoth-Amon) é a morte de ídolos fracos.

·         Nicolau Maquiavel: Conan age como um príncipe eficaz: usa força (virtù) e oportunidade (fortuna). Resgata aliados para fortalecer seu grupo, confronta Thoth-Amon com astúcia e derrota Dagoth para garantir o resultado prático (salvar Jehnna e si mesmo). A motivação por Valéria é um meio para motivar-se; o fim (sobrevivência e vitória) justifica os meios brutais.

 

Pensadores Pré-Socráticos e Estoicos

·         Tales de Mileto: Menos direto, mas Conan age com um princípio monista prático: tudo flui de forças primordiais (força, água da vida, etc.). Sua coragem frente ao horror cósmico (Dagoth) reflete a busca pela arché (princípio originário) através da ação, não só da contemplação.

·         Zenão de Cítio, Sêneca e Epicteto (Estoicismo): Conan aproxima-se do sábio estoico ao aceitar o que não controla (morte de Valéria no final) e focar no que controla: sua virtude e ações. O resgate de Akiro e Zula é justiça e humanidade (oikeiosis). Enfrentar Dagoth é apatheia (ausência de paixão disruptiva) combinada com coragem: suportar o horror sem se deixar abater. Marco Aurélio (imperador estoico) admiraria o dever de Conan como líder do grupo em meio ao caos.

·         Marco Aurélio: “O que não mata te fortalece” alinhado ao estoicismo. Conan pratica amor fati (amor ao destino) ao continuar após perdas, priorizando o bem comum do grupo sobre o desejo pessoal.

 

Filosofia Oriental e Outros

·         Confúcio: Conan demonstra ren (benevolência) ao libertar Zula e salvar Jehnna, e yi (retidão) ao rejeitar sacrifício injusto. Ele forma uma “família” leal com Akiro e Zula, semelhante à harmonia social confuciana, embora por meio da força bárbara, não de rituais.

·         Sun Tzu: A arte da guerra de Conan é pragmática: ele conhece a si mesmo e o inimigo (explora fraquezas de Thoth-Amon nos espelhos, de Dagoth no chifre). Vitória sem luta total (usando o conhecimento de Akiro) é o ápice da estratégia.

·         Baltasar Gracián: Conan pratica prudência cortesã em meio ao barbarismo: seleciona aliados úteis, adapta-se ao perigo e age com discrição oportuna. Seu “herói” é o que sabe esperar o momento certo para o golpe decisivo contra Dagoth.

·         Buda: Os atos de Conan contrastam com o desapego. Sua motivação por Valéria é apego (tanha) que causa sofrimento (dukkha), mas ele liberta outros do sofrimento imediato (Zula, Jehnna). A vitória sobre Dagoth pode ser vista como superação de ilusão (maya) do poder divino falso, aproximando-se de uma iluminação combativa.

 

Pensadores Contemporâneos e Religiosos

·         John Locke: Conan defende direitos naturais implícitos: vida e liberdade de Akiro, Zula e Jehnna contra tirania (rainha Taramis, sacrifício). Sua rebelião contra o poder arbitrário ecoa o direito de resistência lockeano.

·         Arthur Schopenhauer: A vontade (Wille) de Conan é a força motriz cega da vida. Seu desejo por Valéria é manifestação da vontade de viver; enfrentar Dagoth é confronto com o horror da existência. A compaixão (Mitleid) aparece ao salvar inocentes, aliviando o sofrimento alheio.

·         Andrew Tate: Do ponto de vista moderno redpill, Conan é o alpha masculino ideal: protetor, provedor de segurança, líder de equipe, que constrói lealdade através de força e resultados. Ele rejeita vitimização, enfrenta o mal diretamente e prioriza missão (ressurreição de Valéria) acima de conforto.

·         Jesus Cristo: Conan mostra ecos do “amai o próximo” ao resgatar e proteger os vulneráveis (Akiro, Zula, Jehnna). Sua luta contra o mal (Dagoth como força demoníaca) lembra o confronto de Jesus com demônios ou a expulsão dos vendilhões. No entanto, difere radicalmente: Jesus prega o perdão e o amor aos inimigos; Conan usa a espada. A motivação romântica por Valéria aproxima-se do amor sacrificial, mas sem a dimensão de redenção divina ou “dar a outra face”.

 

Não conto o final do filme!

O final deste filme não deve ser revelado por mim. Meu texto serve a um propósito de trazer convites para valores e loucuras. Saibam, oh, todos meus sete leitores, que seus filmes favoritos estão carregados de pequenas lições de vida e moral. Sendo o meu objetivo descrever sobre estes valores e trazer a curiosidade para que vocês vejam e revejam este filme nostálgico.

Espero que tenham gostado do texto, eu o fiz para homenagear as antigas escrituras de A Espada Selvagem de Conan. Os atos de Conan revelam um código de honra bárbaro centrado em lealdade pessoal, coragem e moral, rejeição à injustiça e vontade indomável.

 

Aristóteles, Nietzsche, grandes pensadores estoicos e Sun Tzu o veriam com mais aprovação: virtude prática, afirmação da vida e estratégia eficaz. Kant e Jesus destacariam a tensão entre motivação egoísta e um bem universal. Conan não é um filósofo, mas seus valores são crus, terrestres e eficazes — típicos de um herói que forja seu próprio caminho em um mundo de deuses cruéis e homens traiçoeiros. Essa é a essência duradoura de Conan: não a perfeição moral, mas a grandeza na luta.

 

Por Marcio Strzalkowski

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